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Paulo Flores fala sobre seu novo disco

O cantor angolano Paulo Flores, que irá lançar a sua nova obra discográfica, insistiu recentemente que Angola está novamente de patas para o ar.

O músico angolano, que é um dos mais respeitados nas lides musicais angolanas, disse num entrevista concedida ao meio de informação português, O Público, que a sua nova obra intitulada o ‘Bolo de Aniversário’, será lançada em Maio do corrente ano.

Paulo Flores insistiu que neste seu novo trabalho musical, retrata assuntos que estão a afectar o país nos últimos dias.

Ele disse na entrevista: “Este disco acaba por ser um pouco mais temático, no sentido em que fala do que está a acontecer em Luanda nos dias de hoje. Mas é também um disco mais dançante, onde eu voltei a uma receita que fazia no início, com a kizomba, que veio antes do semba, em que as pessoas dançavam as músicas e só depois de dançarem é que começavam a ouvir bem o que eu estava a dizer”, referiu

O músico faz também uma comparação entre a sua anterior obra “O País Que Nasceu Meu Pai” e a que está prestes a lançar, realçando que neste seu novo disco, a preocupação já não passa pela passagem de testemunho para as novas gerações, e sim, mostrar que as coisas mudaram, para pior:

“Nos discos anteriores, sobretudo em ‘O País Que Nasceu Meu Pai’, eu estava muito preocupado com o que nós deixávamos como testemunho para as novas gerações, porque sentia que podíamos perder referências e o país ficar desconhecido para nós próprios. Neste momento, como diz essa minha nova canção, ‘Trabalho’, o mundo mudou, o kwanza baixou, as pessoas não têm emprego, nem preparação para conseguir emprego, e Angola está outra vez de pernas para o ar. Como aliás era o meu medo, pela falta de todas essas referências na educação, na preparação das pessoas.

“Essencialmente, que as pessoas deixem de pensar tanto nelas próprias e principalmente que o governo, as instituições, comecem a trabalhar com mais substância, a pensar de facto no que o povo precisa, como a saúde e a educação, que são as duas coisas que mais me preocupam por lá. Enquanto tivermos um povo tão afastado daquilo que se passa no mundo e no próprio país, tão distanciado do que é de facto a realidade, vivendo a maior parte da população apenas numa sobrevivência quase sem dignidade, acho que o futuro se apresenta triste e complicado.”

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