Durante muito tempo, a poligamia foi romantizada como sinónimo de sucesso, virilidade e poder. Para muitos homens, a ideia de ter várias mulheres representa status, respeito social e uma vida de abundância. Mas o que quase nunca se fala é do outro lado da moeda aquele que pesa, cansa e cobra.
Em Os Kambas, essa ilusão começa a ruir quando Nkanda é confrontado por três das suas seis esposas. Lukeny, Weza e Yolanda exigem explicações claras sobre por que Lumena, Hosi e a mais nova, Rossana, recebem mais atenção, mais prioridade e, aparentemente, mais amor. O que parecia harmonia transforma-se num espelho cruel da realidade.
A verdade é simples: na poligamia, tudo se multiplica. Não é só o amor; são as despesas, os conflitos, os ciúmes, as expectativas e as frustrações. O homem deixa de ser apenas marido e passa a ser gestor emocional, financeiro e psicológico de várias famílias ao mesmo tempo. E quando o equilíbrio falha, o caos instala-se.
Existe também um estereótipo perigoso que alimenta esse desejo: a ideia de que o homem manda, escolhe e nunca é questionado. Mas a cena de Nkanda mostra exatamente o contrário. Ser polígamo não é estar no controlo - é estar constantemente a prestar contas.
Antes de desejar a vida de alguém, é preciso entender o peso que essa vida carrega. Nem todo poder é liberdade, e nem toda escolha traz paz. A poligamia exige maturidade, justiça emocional e responsabilidade extrema - coisas que muitos idealizam, mas poucos conseguem sustentar.
